50 anos do Festival de Cinema Brasileiro de Brasília

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Mais uma vez, Brasília terá a oportunidade de aplaudir, vaiar e celebrar o cinema nacional. O evento cultural ainda não começou, mas já deu o que falar. No que tange à programação, artistas e acadêmicos da capital federal se manifestaram negativamente pelas redes, cobrando um repertório mais democrático. De acordo com eles, a curadoria preteriu cineastas mulheres, que aparecem de forma menos expressiva nesta 48ª edição e nos 50 anos de festival (o evento foi suspenso durante um período na ditadura militar). Seja como for, as polêmicas atuais logo serão substituídas pelos debates e discussões gerados pelos longas, médias e curtas–metragens.

Figura de ponta, quando o assunto são as polêmicas, um dos diretores selecionados, Claudio Assis está à frente de Big Jato, longa estruturado em paralelo à própria escrita do livro de Xico Sá no qual se baseou. “Na tela, não deixa de ser ele, Claudio Assis, só que menos ácido. Houve, no roteiro, uma liberdade muito grande. Trabalhar com Claudio Assis não é conflitante, tende para o cooperativo. E, agora, ele está mais lírico”, antecipa o corroteirista Hilton Lacerda. Xico Sá emprega, na escrita, um alter-ego, recriado protagonista no filme. “Trata-se de um rito de passagem. Uma metáfora para o início da vida de um menino de 15 anos”, sublinha Lacerda.

Se há desconforto no aspecto de gênero representado na seleção, o mesmo não pode ser dito sobre a pluralidade das fitas. A heteronormatividade, a infância e a solidão fazem parte do pacote de seis longas em competição. “Priorizaram a diversidade e, como venho de uma cena do cinema brasileiro com poucos recursos, estar em Brasília, pela primeira vez, me deixa lisonjeado”, comenta Cristiano Burlan, que defenderá o longa Fome. Para ele, o festival se apresenta como uma incógnita. Prêmio, como percebe, é “a cereja do bolo”. Até nisso, o diretor do filme em preto e branco, centrado na terceira idade, impõe caráter político. “A predisposição para se expressar, em cinema, pressupõe política”, reforça.

Estréia

O interior do país, em contraste com metrópoles urbanas, também desenha rumos para a nova edição do festival de Brasília de cinema. Com o primeiro longa de ficção, A família Dionti, o cineasta Alan Minas tem a sensação de cumprir missão – “eu sonhei em fazer a estreia do longa em Brasília”. Focado na primeira paixão de um adolescente morador do interior de Minas Gerais, o filme tem contornos fantásticos, já que envolve tipos que se derretem de paixão e outros personagens circenses, capazes de jogar com verdades e mentiras.

Fonte: Correio Braziliense

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