TRÊS OLHARES SOBRE A COLEÇÃO SÉRGIO CARVALHO NO MUSEU CORREIOS EM BRASÍLIA

Categories: Laguna Plaza Hotel - Brasília

Vértice -Amanda Melo - Isolante

“Para cada obra, há uma história”. Essa máxima de Sérgio Carvalho, cuja coleção de arte

contemporânea protagoniza a exposição Vértice – a primeira da série “Coleções” –, define

bem o espírito da mostra: a apresentação de trabalhos de artistas brasileiros contemporâneos,

selecionados por três curadoras de diferentes lugares e gerações, com o objetivo de

trazer ao público um panorama da arte contemporânea brasileira, com base no

intercâmbio de distintos olhares.
Ao apresentar ao espectador, simultaneamente, três visões curatoriais, Vértice propõe

uma discussão sobre as inúmeras possibilidades de um acervo e da produção de um

conjunto de artistas. A partir de visitas coletivas e da troca de informações com o

colecionador, as curadoras começaram a delinear uma forma de “classificar” as obras no

âmbito da exposição, que será apresentada em três “módulos”, sempre sujeitos à

contaminação e deslocamentos: “Relatos, Construções e Assombros”.

“Relatos”, com curadoria de Marília Panitz, reúne obras que têm a ver com os

deslocamentos para ver e “descrever” o mundo. Apresenta-se por meio de um viés político,

antropológico e de desafio à abrangência das linguagens da arte, onde elas muitas vezes

“invadem” outros campos de conhecimento. São trabalhos que apostam na produção em

torno das relações espaço-tempo do homem na História, seus documentos (de cultura e

barbárie) e na sua própria memória.
“Construções”, com curadoria de Polyanna Morgana, lança um olhar para as obras que

se pautam pela herança histórica do artista russo construtivista Vladimir Tatlin (1914),

que, em uma série de esculturas espaciais, elaborou uma reflexão sobre a obra de arte,

indicando que esta era “construída”, não esculpida ou fundida, como ocorria nos modelos

tradicionais de escultura. Participam fotografias, pinturas, esculturas, vídeos e instalações,

onde é possível reconhecer uma tendência da arte – reflexiva e, por vezes, autocrítica – que

se debruça sobre as condições de se arquitetar uma obra no mundo, enfatizando, neste

processo, diversos aspectos físicos, formais, conceituais, históricos e institucionais.
“Assombros”, com curadoria de Marisa Mokarzel, constitui um espaço de segredos,

veladuras que se espalham pelo lúdico e cruel das coisas, percorrendo lugares oníricos, de

pesadelos, violências e delicadezas. Neste lugar instável a ficção e a realidade se atravessam.

A palavra assombro aproxima-se tanto da condição de espanto como da de admiração,

assim como mistérios, enigmas e estranhezas. Plural, o substantivo se expande e propaga

diferentes ideias e sentimentos e essa multiplicidade dilata o conteúdo semântico que,

associado à arte, permite o trânsito estético e conceitual das obras reunidas nesse eixo.
Vértice reúne pinturas, esculturas, desenhos, fotografias, vídeos e instalações, num total de

mais de 200 obras selecionadas entre as mais de 1.500 obras de arte contemporânea da

coleção Sérgio Carvalho. Realizada pela 4 Art Produções Culturais, a mostra permanecerá

no Museu dos Correios, em Brasília, de 18 de junho a 16 de agosto.
O COLECIONADOR
Residente em Brasília, Sérgio Carvalho, advogado, 54 anos, começou sua coleção de arte

contemporânea em 2003, quando conheceu Nazareno, José Rufino, Eduardo Frota e Valéria

Pena-Costa, que o apresentaram a outros artistas. Encantado com o universo poético de

cada um deles, Carvalho resolveu vender as gravuras de Oswaldo Goeldi que possuía para

comprar fotografias de Lucia Koch.
Hoje – 12 anos após iniciar sua coleção – Sérgio Carvalho reúne obras de alguns dos mais

importantes artistas contemporâneos brasileiros, entre os quais Regina Silveira, Nelson

Leirner, Iran do Espírito Santo, Efrain Almeida, Emmanuel Nassar, Hildebrando de Castro,

Rubens Mano, Berna Reale, Jonathas de Andrade, Sofia Borges e Rodrigo Braga. Sua coleção

demonstra que o colecionismo pode ser instigado pelo amor à arte e pela possibilidade do

registro de um período das artes visuais de determinado tempo, não pela equivocada ideia de

aquisição de commodities.
“Depois que me interesso por uma obra, procuro conhecer quem a fez. Raras as obras que eu

não conheço, pessoalmente, o autor. Interessa o contato com o artista e o seu particular

universo – real e poético. Esse modo de agir me fez, em verdade, colecionar amigos” – diz

Sérgio. “Procuro adquirir um acervo significativo de cada um dos artistas que integram a

coleção, algo entre dez e vinte obras. Gostaria de ter uma exposição individual de cada um” –

resume.

SERVIÇO

Exposição Vértice (da série “Coleções”) / Estágio 1: Coleção Sérgio Carvalho

Local: Museu Correios

Setor Comercial Sul, quadra 4 – Bloco A, n° 256 – Ed. Apolo – Asa Sul – Brasília/DF

Inauguração (para convidados): 18 de junho de 2015 às 19h

Visitação: 19 de junho a 16 de agosto de 2015

Horário: de terça a sexta-feira, de 10h às 19h, sábados, domingos e feriados, de 12h às 18h

Entrada franca

Fonte: Assessoria de Imprensa

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